domingo, 9 de setembro de 2012

Sinos

Preciso de sinos sonâmbulos
Que gritem inconscientemente
Sempre que eu precisar
E ignorem aquilo que eu acho
Precisar de saber!

Sinos absolutamente irracionais
Capazes de vibrar as minhas certezas
Para estabilizar as minhas dúvidas
E lembrar-me de algo suspenso
Que só eu possa conhecer!

Preciso de sinos leves de transportar
Que dispensem tarefas vazias
E sonhos de periferia
Que nunca me iriam permitir
Chegar ao meu próprio centro!

Sinos que tocariam
Sempre que eu quisesse
Sem saber que queria!

Sinos que seriam meus
Mas nunca me iriam obedecer
A não ser ao pedido de um final feliz!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma coisa para o poética

Encruzilhada num nó de coisas
(Coisas que não sei o que são)
Agarro-me às coisas suspensas
E fujo das coisas que me amarram
Sem dó nem saudades das coisas
Nem vontade de apanhar as outras coisas
Às quais me agarro!

Coisas que parecem formigas
Que de tantas e tão pequenas
Se tornam numa tormenta
E mesquinha tempestade
Que me moi e remoi
As grandiosas coisas que guardo
Despedaçando-as em coisinhas
Que ainda me servem para menos
Do que as coisas, simples coisas.

Que coisa quero?
Alguma coisa que não seja coisa.
Algo que seja
Só por si!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O absoluto

Aqui tão perto
Aqui tão longe
Contemplo-o
Sabendo que nunca lhe tocarei!

Não o procuro
Puxo-o até mim!
E no dia em que o agarrar
Eu estarei lá
Naquela linha invejada
Porque eu
Serei o próprio
Horizonte!

domingo, 2 de setembro de 2012

segura-os

A terra firme deveria ser elevada
Ao mais alto ponto do céu
E vencer as nuvens mais carregadas
De sonhos prestes a se desfazerem
Nas águas dos monótonos rios.

Digam-me:
Porque é que nem todos nós podemos sonhar em dias de sol?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Como tudo

Não sei se sei que sinto ou se sinto que sei
Sei que estou a ser atingida por um terramoto
Que me irá permitir construir novos lares.

Irei sobreviver?
Depende.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

fim?

Quantas vezes caimos nós
Da mais alta montanha do paraíso
E ficamos suspensos no ar
Sobre a força da poeira de magia
Que restou de uma nuvem já precipitada
Sem sentirmos a loucura da tempestade?
E quantas vezes a sentimos
E preferimos contemplá-la
A ter de confrontar terra firme
Continuando a assumir a chuva
Como transparente?
Quantas vezes?
Quantas?
Nunca saberei.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Risco Seguramente Inseguro

Nó de Deus que me torce
E me engelha a paz
De não saber o que é a dor
De sentir mais do que nada
Para além de mim.

Nó esse que me transtorna

Enquanto me traz os sonhos mais belos
Que são pesadelos tenebrosos
Só por eu saber
Que nunca lhes poderei tocar.

Vida a minha que conduzo

E deixou de avistar sinais
Possíveis de decifrar
De olhos abertos.

Larga o volante

Larga os pedais
Mas 
Nunca largues o travão!