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domingo, 9 de setembro de 2012

Sinos

Preciso de sinos sonâmbulos
Que gritem inconscientemente
Sempre que eu precisar
E ignorem aquilo que eu acho
Precisar de saber!

Sinos absolutamente irracionais
Capazes de vibrar as minhas certezas
Para estabilizar as minhas dúvidas
E lembrar-me de algo suspenso
Que só eu possa conhecer!

Preciso de sinos leves de transportar
Que dispensem tarefas vazias
E sonhos de periferia
Que nunca me iriam permitir
Chegar ao meu próprio centro!

Sinos que tocariam
Sempre que eu quisesse
Sem saber que queria!

Sinos que seriam meus
Mas nunca me iriam obedecer
A não ser ao pedido de um final feliz!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

fim?

Quantas vezes caimos nós
Da mais alta montanha do paraíso
E ficamos suspensos no ar
Sobre a força da poeira de magia
Que restou de uma nuvem já precipitada
Sem sentirmos a loucura da tempestade?
E quantas vezes a sentimos
E preferimos contemplá-la
A ter de confrontar terra firme
Continuando a assumir a chuva
Como transparente?
Quantas vezes?
Quantas?
Nunca saberei.

domingo, 26 de agosto de 2012

Guerra Fria

Há palavras que me invadem
Erguem-se patroas da minha voz
Atropelam a minha subjetividade
E roubam tudo aquilo que era meu
Mas se mantinha em buracos desconhecidos.

Palavras que me empurram a alma,
E corroem as minhas certezas
Elevando labirintos indecifráveis
Onde acabo por me encontrar.

Palavras que não esperam

Palavras por que espero
Sem saber.

Palavras que não venço

Palavras que me vencem
Sem combater.

Palavras que não sei fazer

Palavras que me fazem ser
Sem minhas serem!

domingo, 19 de agosto de 2012

Olhar o teu
















Que abala a minha resistência
Enquanto me dá força
Com o que lhe está intrínseco
E não consigo ver.

Olhar o teu
Que vem ter comigo
Enquanto me foge 
Mesmo sem eu ter de o procurar.

Olhar o teu
Que me recorda de que estou viva
Enquanto me corta a respiração.

Olhar o teu
Que se deleita na minha fragilidade
E expande a longitude do meu ser
Enquanto confunde as minhas certezas
De quem sou eu, afinal.

Olhar o teu
Que me transporta!
Olho e sei
Que é meu!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sonhos d’Ele, sonhos meus

Sonhar é uma tarefa facilmente árdua
Que nos moe a alma
Torce-nos a beleza da realidade
E destrói o espectável
No seu limite mais infinito
Levando-nos a um novo lugar
Que acabamos por sonhar
Já depois de ter.

Sonhos, sonhos meus,
Sois a minha bússola do destino!
Mas não
Não quero chegar até vós
Quero tentar, apenas tentar
Porque nem eu própria sou capaz de sonhar
Os meus verdadeiros sonhos!

domingo, 22 de julho de 2012

Olhares Sujos

Na beleza do olhar mais rico
Mora um filtro de felicidade
Que dá ordens ao coração
Para não exibir as suas mágoas
Nem espalhar as suas verdadeiras vontades.

Na fraqueza do olhar mais pobre
Mora um filtro de tristezas
Que dá ordens ao coração
Para não exibir as suas vitórias
Nem espalhar as suas virtudes.

Na derrota do olhar mais rude
Mora um filtro de invejas
Que dá ordens ao coração
Para exibir o olhar do pobre
E não espalhar o olhar do rico.

Falsidade, onde estás tu?
Aqui, no olhar!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A maré do tempo

A minha sensibilidade poética está a atravessar uma crise mais grave do que a Europa, mas esta semana surgiu esta pequena amostra de poesia. Espero que tenha sabor!


Loucura Atrevimento Risco
São eles que seguram o mar sempre que este desliza pelo relevo da areia
E o empurram até às rochas.
Um choque.
Um estrondo.
Um segundo do meu tempo.
E o mar volta a perder.
Volta a deslizar.
E volta a ser empurrado
Pela loucura
Pelo atrevimento
Pelo risco
Dá-se outro choque
Outro estrondo
Outro segundo do meu tempo
E o mar volta a perder e a recuar
Levando mais areia às costas.

Os segundo serão tantos que as rochas mais duras irão desfazer-se em pedaços de areia

Será o auge da felicidade do mar!

Mas sem querer
Nem se aperceber
Será esse mesmo Mar
O transformador da areia em rochas
Enquanto desfruta da sua suavidade

Sendo um ciclo
Não há vencedor
Nem posso colocar um ponto final nesta história